Após denúncias de funcionários de que o centro para recuperação de adolescentes Recomeçando, que funciona na zona rural de Campo Grande, está abandonado e em condições insalubres, a Setas (Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social) informou ao CDDH (Centro de Defesa dos Direitos Humanos) que o local passa por ‘reforma emergencial’, segundo a entidade que acompanha o caso.
A informação foi dada como resposta ao pedido feito pelo CDDH na tentativa de vistoriar o local, por meio de ofício encaminhado na última sexta-feira (6).
Segundo o presidente da entidade, Paulo Ângelo de Souza, não foi enviada pela secretaria nenhuma resposta formal. Ao entrar em contato, ele recebeu por telefone a resposta da reforma.
Ele diz ter sido informado ainda de QUE o ofício só poderá ser respondido quando a secretária Tânia Garib voltar de Brasília (DF), onde participa de uma solenidade como representante do governador André Puccinelli.
Na última terça-feira (3), equipe dos direitos humanos foi até o Recomeçando para verificar as condições em que estão os adolescentes, mas teve que esperar do lado de fora da porteira.
O Campo Grande News procurou a assessoria de comunicação da Setas e foi informado de que no local são realizados apenas procedimentos períódicos de manutenção, que são feitos sempre que necessárioS.
Quando às visitas, a secretaria reforçou que a entrada não é liberada para garantir a segurança dos adolescentes. Outro argumento foi o fato do Conselho Nacional ter assumido as discussões sobre o local, entidade da qual o CDDH faz parte.
Sobre a argumentação da segurança, o CDDH contesta, lembrando que,
apesar da dita preocupação, o centro não conta com segurança especifico, guarita nem muros.
Caso - A situação precária do centro foi denunciada pelos funcionários do local ao CDDH no final de outubro deste ano. Depois de divulgada a primeira denúncia, vários outros trabalhadores que pediram para não serem identificados procuraram o centro para confirmar a situação.
Em detalhes, eles contaram que os garotos que estão no local para tratamento de dependências químicas já chegaram a matar animais do quintal para se alimentar, por conta da falta de carne.
Problemas como infra-estrutura precária, com esgoto a céu aberto, fossa entupida, ‘gambiarras’ na utilização da rede elétrica, iluminação precária e falta de segurança foram revelados pelos funcionários.
O centro de direitos humanos, que monitora o caso, já comunicou o Conselho Estadual dos Direitos Humanos e informou que se não forem tomadas providências nos próximos dez dias irá acionar o Conselho Nacional.