Máquinas da prefeitura derrubam eucaliptos em área que é referência na região da Vila Carlota, em Campo Grande.
Na praça do bairro, onde o matagal já tomou conta do espaço público, a paisagem começa a mudar. Parte das árvores já foi removida, porém, o Preto Velho, monumento que dá nome ao local, será preservado, segundo revelou o encarregado da obra do município, o início da construção do Parque Linear do Cabaça, que envolve Vila Ieda de Carlota.
Para que obras sejam concluídas, é feito o desmatamento que coloca em alerta cerca de 30 famílias que vivem perto da praça e também serão removidas do local.
Sem saber para onde vão, elas reclamam da perda da história, já que muitas nasceram e cresceram no bairro.
A professora Marlene Ferreira Lima, 54 anos, conta que herdou da mãe a casa na Vila Carlota, onde nasceu e foi criada. “É como se fosse a nossa raiz”, enfatiza Marlene.
Ela ressalta que a mãe já faleceu e que sonhava em deixar o imóvel para os filhos. No entanto, deverá se mudar, porém, ainda não foi comunicada oficialmente.
Segundo Marlene, a única informação que receberam acerca da retirada das famílias do local veio de um funcionário da prefeitura que foi fazer a medição das ruas. Ela teme pelas perdas em valores sentimentais e materiais.
Para Marlene, o ressarcimento não será no mesmo preço do imóvel. Ela destaca que a casa onde mora é bem localizada, portanto, não acredita que receba uma quantia suficiente para adquirir residência em "um bairro tão bom".
O funileiro José Carlos Ferreira da Silva, 46 anos, está há 26 anos na região e agora terá que se mudar. Ele conta que construiu a vida e criou os filhos na região, por isso, reclama da “novidade”.
“Aqui tem um valor sentimental. Nós nem sabemos quanto vamos receber, mas não tem dinheiro que pague o que construi aqui”, diz.
Progresso - Já a contadora Rosimar Martins, 31 anos, mora na área onde não haverá remoção. A família dela está há 40 anos na Vila Carlota e, embora sinta a perda dos amigos, comemora o progresso.
“Fico triste pelos nossos vizinhos, já estamos acostumados com eles. Mas será bom porque vai trazer melhorias para o bairro”, completa.
Mudança - A Prefeitura recorreu à Justiça e conseguiu decisão favorável para concluir o processo de desapropriação da área onde será construída uma avenida marginal e o parque linear no Córrego Cabaça, o que deve custar R$ 3,8 milhões em pagamento para 107 pessoas que têm imóveis na região, inclusive pessoas físicas.
Houve acordo apenas com 50% dos proprietários de áreas, por isso foi preciso acionar a Justiça para resolver o impasse com quem houve litígio ou depende de inventário.
A obra vai ligar a região da Universidade Federal a Avenida Spipe Calarge.
A prefeitura pretende concluir neste mês a fase de desapropriação para dar início à obra no mês de agosto.
A prefeitura solicitou prazo para levantar a situação dos moradores que reclamam pela falta de informação sobre o destino após as obras.